Uma rede de pesca ilegal de corvina foi desmantelada pela GNR, que constituiu arguidos dois homens pelo crime de danos contra a natureza.
No âmbito de uma investigação por crime de dano contra a natureza, que decorria há três anos e incidia numa rede de pesca ilegal de corvina, os militares da Guarda apuraram que os suspeitos capturaram mais de 23 toneladas de corvina com recurso a métodos ilegais, gerando um lucro superior a 250 mil euros.
No decorrer da operação, foi possível apurar que a utilização de equipamentos tecnológicos, como sondas e GPS, permitiam a localização e captura dos cardumes de corvina, uma espécie marinha de elevado valor económico e ecológico.

Os suspeitos desenvolviam a captura massiva de espécimes na altura de reprodução, quando estes se aglomeram em grandes quantidades para efeitos de reprodução, sendo que esses cardumes eram dizimados por esta prática reiterada, interrompendo a sua reprodução, no estuário do rio Tejo.
No seguimento da ação desenvolvida pela Secção de Proteção da Natureza e Ambiente da Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras, os militares da Guarda constituíram arguidos dois homens, de 44 e 54 anos, e deram cumprimento a seis mandados de busca, dois em residência, dois em viaturas e dois embarcações, tendo resultado a apreensão de dois veículos, de duas embarcações, bem como diversas redes e material de apoio à atividade ilícita.
Em comunicado, a GNR refere que “a corvina-legítima (Argyrosomus regius) é uma espécie de grande importância para o ecossistema do rio Tejo, realçando-se o facto de que o estuário do Tejo, local onde a espécime se encontra vulnerável e desprotegida, é o mais importante dos cinco estuários a nível mundial onde ocorre a reprodução desta espécie, podendo assim colocar em causa, de forma severa, a sobrevivência desta espécie no ecossistema”.
Este peixe marinho, pode viver mais de 40 anos e atingir até 100 quilos, e desempenha um papel crucial no equilíbrio do ambiente aquático, alimentando-se de várias presas e contribuindo para a saúde do ecossistema. No entanto, “a pesca desenfreada e ilegal tem colocado em perigo a sua sustentabilidade”, sublinha. A GNR, conclui, “reforça o seu compromisso com a proteção ambiental e agradece as denúncias recebidas”, assegurando que “trabalha diariamente para proteger a biodiversidade e assegurar que as leis de proteção ambiental sejam cumpridas”.
