Reabilitação da ETAR de Seiça trava poluição no rio Nabão

A reabilitação da ETAR de Seiça, agora concluída, vai resolver os problemas identificados com as descargas no rio de Nabão em altura de chuvas.

O projeto de reabilitação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Seiça representa um investimento aproximado de dois milhões de euros, cofinanciado em mais de um milhão de euros pelo programa comunitário PO SEUR, que além de favorecer o serviço prestado, pretende resolver os problemas identificados com as descargas no rio de Nabão em altura de chuvas devido à falta de capacidade da ETAR.

Na cerimónia oficial de apresentação da renovada infraestrutura, o presidente da Câmara de Ourém e do Conselho de Administração da Tejo Ambiente, Luís Miguel Albuquerque, salientou que o projeto de reabilitação da ETAR de Seiça constituiu uma prioridade, “já que a infraestrutura com 22 anos necessitava urgentemente de uma intervenção” em face do significativo nível de desgaste e da necessidade de atualização tecnológica.

O autarca revelou que até 2030 estão previstos dois novos projetos, com as obras de reabilitação dos emissários que confluem para a ETAR de Seiça e a requalificação da ETAR do Alto Nabão.

Presente na cerimónia, o presidente da Câmara de Tomar, Hugo Cristóvão, manifestou o seu regozijo pela reabilitação realizada na ETAR de Seiça, “obra há muito ansiada no concelho de Ourém e de Tomar” que é um contributo fundamental para precaver episódios de poluição no rio Nabão.

Luís Miguel Albuquerque aproveitou a presença do secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, para fazer um retrato da realidade da Tejo Ambiente e da atuação da empresa intermunicipal, que serve cerca de 106 mil pessoas, tem uma área de abrangência de 1500 km2, com cerca de 77 mil clientes.

O autarca sublinhou “os dois anos consecutivos de resultados positivos da empresa”, realidade que se deve “à economia de escala permitida pela empresa intermunicipal e à aprovação das candidaturas comunitárias submetidas”.

Neste momento, após cinco anos de existência, a Tejo Ambiente permitiu o aumento da taxa de cobertura de saneamento nos municípios que a compõem de 43% para 52%, com o objetivo de atingir os 60% de cobertura até 2030. Também a afluência indevida de águas para tratamento sofreu uma redução de 172%, em 2019, para os atuais 116%.

Relativamente à água não faturada, foi possível uma redução de 56% para 39% e a perspetiva será atingir os 30% em 2030, para o que contribuirá a já programada a renovação das condutas e substituição dos contadores de água.

Em cinco anos, a Tejo Ambiente realizou 29 milhões de euros de investimento, com cerca de 14 milhões fruto de fundos comunitários, tendo previsto até 2030 projetos avaliados em 36 milhões de euros.

Luís Miguel Albuquerque apontou ao membro do Governo alguns problemas que condicionam o trabalho da empresa intermunicipal, como seja o regime fiscal aplicado, as dificuldades no acesso a financiamento e os valores praticados pelos sistemas de água em alta que influenciam gravemente os valores das tarifas finais dos consumidores.

O secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, sublinhou que “a política de agregações em territórios de baixa densidade é fundamental para a sustentabilidade económica dos sistemas e faz todo o sentido”.

O membro do Governo lembrou que o abastecimento público de água está neste momento assegurado a nível nacional, exceto em algumas zonas do Algarve, e manifestou a sua preocupação com os números de desperdício nos sistemas de abastecimento de água, “valores que poderiam resolver os problemas de renovação das infraestruturas e a constante manutenção necessária”.

Emídio Sousa revelou que o Governo está a desenvolver esforços para influenciar as políticas europeias na disponibilização de fundos comunitários para a gestão das águas, garantindo ter como objetivo que o sistema de água em alta pratique os mesmos preços em todo o país.