O restaurante Frade Sushi Bar, em Reguengos de Monsaraz. não reabrirá as portas após ter sido destruído por cinco clientes na noite de quarta-feira, anunciou hoje a gerência.
Através da página oficial do estabelecimento, os proprietários revelaram a decisão: “Obrigado por todos estes anos. Foram muitos momentos, muitas histórias, muitas partilhas no Frade Sushi Bar. Hoje chegou o momento de fechar este capítulo”.
De acordo com testemunhas oculares da rixa, que por medo de represálias falaram sob anonimato, cerca das 22 horas “quatro dos homens estavam a beber na esplanada e um outro veio ao bar pedir mais bebida. Quando lhe foi dito que ia encerrar, ameaçou pegar fogo ao espaço e cuspiu na cara da pessoa do bar”.
De seguida, “os outros partiram a porta e os vidros para entrarem” e, durante cerca de minutos, “aquilo parecia que não tinha fim. Destruíram tudo”.
Enquanto os proprietários eram socorridos por amigos e familiares, os clientes que jantavam no restaurante, incluindo 12 crianças, tentavam proteger-se da fúria dos agressores, que incidiu sobretudo na zona do bar. “Não foi agradável, nem seguro”, garantem.
Ao inico da manhã de hoje, a presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, Marta Prates, emitiu um comunicado onde reconhece que “a cidade de Reguengos de Monsaraz foi abalada por um episódio grave de violência, com cinco indivíduos a vandalizarem por completo um estabelecimento local e a causarem ferimentos a um jovem”.
A autarca considera que este “ato inadmissível” deixou a população “em alerta e exige muito mais do que palavras: exige ação firme, determinada e responsável”.
Antes mesmo da audiência pedida à ministra da Administração Interna, a Câmara Municipal, adiantou Marta Prates, irá dirigir ao Governo “uma moção política formal”, na qual exige o “reforço imediato dos efetivos da GNR no concelho, a instalação de um sistema de videovigilância nas zonas mais críticas da cidade e a avaliação da criação de uma Polícia Municipal, como solução estrutural e preventiva”.
Ao final da tarde e após uma reunião entre Marta Prates e os comandantes do Destacamento Territorial da GNR de Reguengos de Monsaraz e do Posto da GNR na cidade, na qual participaram ainda o coordenador Municipal da Proteção Civil e representantes da Junta de Freguesia, a autarca disse que do encontro “resultou uma decisão clara e inequívoca: a nossa população terá, nos próximos tempos, um reforço efetivo e absoluto dos meios de segurança e de policiamento por parte da GNR no nosso concelho”.
Martas Prates garantiu que da reunião “saiu este compromisso firme das autoridades competentes, que passará a ser visível e sentido no terreno”, agradecendo á GNR “esta resposta pronta e imediata”.
Para a presidente do Município, “a nossa voz, a nossa persistência e a nossa exigência, em nome da segurança dos reguenguenses, está a dar frutos. A segurança dos nossos cidadãos não é negociável e, por isso, em total articulação com a GNR conseguimos garantir que a resposta do Estado se traduz num reforço imediato da presença policial em Reguengos de Monsaraz”.
Não obstante as garantias agora obtidas, Marta Prates assegura que serão mantidas as ações previamente anunciadas. “Como poder local, usaremos todos os instrumentos ao nosso alcance e intensificaremos a pressão política sobre o Governo central até que cada habitante deste concelho possa viver com a confiança plena de que está protegido”, concluiu.
Entretanto, ao longo do dia e através das redes sociais, multiplicaram-se as manifestações de repúdio aos incidentes verificados e à alegada demora de atuação da GNR, que até ao momento não emitiu nenhum comunicado sobre o assunto nem esteve disponível para prestar esclarecimentos sobre os factos ocorridos no Frade Sushi Bar. Fernando Ramalho questiona mesmo “como é possível não haver GNR disponível numa cidade como Reguengos”, enfatizando a sua revolta com uma outra pergunta: “Como é possível esperar longos 45 minutos para chegar uma patrulha de dois GNR vindos de Portel”?
Um outro internauta, João José Rosmaninho, considera que “a solução só passa pela expulsão das comunidades em causa do concelho. Quem não sabe viver em sociedade não merece qualquer tipo de apoio que lhe seja dado”, sublinhando que “os locais onde ‘habitam’ devem ter donos e de certeza que não são os indivíduos em causa”.
No mesmo sentido, que norteia a generalidade das posições publicadas pela comunidade reguenguense, José Lopes afirma que “é gente que não interessa a ninguém e que está cá a mais”.

