O oitavo aniversário da Associação das Coletividades do Concelho de Setúbal (ACCSet) foi comemorado no sábado, numa sessão realizada no auditório do Mercado do Livramento.
Usando da palavra no evento, André Martins, presidente da Câmara Municipal, destacou a forte ligação entre o município e o movimento associativo, numa relação de parceria.
“Somos parceiros fundamentais, o poder local e o movimento associativo não podem viver separados. Em Setúbal temos a experiência de uma parceria sempre empenhada em ultrapassar as dificuldades”, disse André Martins.
O autarca sublinhou a “importância do movimento associativo nos bairros”, porque “sente os problemas das pessoas” e está “sempre disponível para ajudar e para a promoção da qualidade de vida”.
Depois de recordar que a Câmara Municipal presta apoios logísticos e financeiros ao movimento associativo, lembrou que no início do mandato foi assumido o compromisso de resolver o problema relacionado com as sedes de muitas coletividades, porque “não estavam em condições ou precisavam de melhores condições para irem mais além no desenvolvimento da sua atividade e no trabalho de servir as populações” do concelho.
“Hoje temos apoios a cerca de 30 coletividades, umas já têm as sedes em construção nova, outras em remodelação”, sublinhou.
“Temos uma ligação forte e é com muito orgulho que conseguimos fazer este esforço”, enfatizou.
André Martins, que no final entregou um busto do poeta azeitonense Sebastião da Gama ao presidente da ACCSet, Nuno Soares, destacou o trabalho da associação para “criar as melhores condições para as próprias coletividades fazerem o seu caminho”, notando, nomeadamente, a “importância da formação dos que fazem parte do movimento associativo”.

Nuno Soares agradeceu à Câmara Municipal e às juntas de freguesia por “terem dito presente desde o primeiro dia” quando as coletividades do concelho viveram “momentos difíceis, com água e luz para pagar”, salientando o “papel muito importante” que estas tiveram no auxílio das pessoas mais necessitadas.
O presidente da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD), João Bernardino, disse que era “um orgulho muito grande” estar “entre o poder local democrático e o poder local associativo” e pediu mais apoios do Estado ao movimento associativo.
“Temos de aproveitar estas oportunidades para dizer a toda a gente: o poder local já percebeu e está de braço dado connosco, mas é preciso dizer a outros poderes que o movimento associativo faz falta ao país. É muito importante para a qualidade de vida das pessoas”, disse, dando os parabéns “a quem trabalha de uma forma benévola, voluntária e dedicada”.
Rui Canas, presidente da União das Freguesias de Setúbal, recordou que esta autarquia, com “mais de 100 coletividades” no seu território definiu “desde o primeiro momento” o movimento associativo como “um dos principais parceiros”, facto que se traduz na coorganização de eventos como o Fest’Asso ou o Festival Visigodo.
“Hoje o movimento associativo é um garante da nossa identidade enquanto povo setubalense”, disse o autarca, adiantando que este ano a União das Freguesias de Setúbal concedeu ao movimento associativo 70 mil euros em apoios financeiros e 160 mil euros em apoios na área logística.
O seu homólogo na Junta de Freguesia de São Sebastião, Luís Matos, também realçou a “parceria fundamental” que esta autarquia mantém há cerca de duas décadas com o movimento associativo que tem tido “um papel muito ativo e muito interessante na freguesia e no conselho nos últimos 50 anos”.
Luís Matos salientou que, “no último ano económico”, a junta de freguesia concedeu às coletividades 92 mil euros em comparticipações financeiras, “além de largas dezenas de milhares de euros em apoios logísticos”.
O presidente da Federação Portuguesa dos Jogos Tradicionais (FPJT), João Alexandre, salientou o trabalho que a ACCSet tem feito na divulgação dos jogos tradicionais no concelho e revelou que, “a curto prazo”, a FPJT vai avançar com o Instituto Politécnico de Setúbal para a criação de um curso de animadores de jogos tradicionais.
Augusto Flor, ex-presidente da CPCCRD e atual assessor da direção da confederação, apresentou depois os Laboratórios Sociais Associativos, um projeto-piloto desta entidade que decorre no distrito de Setúbal entre janeiro de 2024 e dezembro de 2027, com o objetivo de estudar e encontrar soluções para os problemas das coletividades nas áreas dos associados, dos dirigentes e das relações do movimento associativo.
O projeto envolve também a ACCSet, a Federação das Coletividades do Distrito de Setúbal e as Escolas do Clube Desportivo da Cova da Piedade, tendo Augusto Flor salientado que no estudo – cujos resultados serão divulgados para poderem servir a todo o movimento associativo popular português – vão ser usados métodos e técnicas científicos, “para encontrar soluções que a experiência empírica não permite encontrar”
Grupo Desportivo Os Amarelos, Artiset – Associação de Artistas Plásticos de Setúbal, Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense, Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Setúbal e União Desportiva e Recreativa das Pontes – não filiada na associação concelhia – foram as cinco coletividades do concelho de Setúbal, convidadas por decisão da ACCSet, que assinaram o compromisso associativo no qual se define o papel de cada parte no projeto Laboratórios Sociais Associativos.
A sessão comemorativa do oitavo aniversário da ACCSet contou com um colóquio em que o investigador sobre o movimento associativo Sérgio Pratas abordou o tema “O papel (e participação) das mulheres no associativismo popular”.
Noutros painéis, João Bernardino e Augusto Flor falaram sobre os “20 anos do Estatuto do Dirigente Associativo Voluntário” e João Alexandre apresentou o tema “A importância dos jogos tradicionais portugueses na Europa”.
