António Chainho despede-se dos palcos após 60 anos de carreira

António Chainho

António Chainho despediu-se dos palcos sexta-feira à noite e a Praça do Município, em Lisboa, encheu-se para ouvir o “até já” do guitarrista e compositor.

Natural da aldeia de São Francisco da Serra, no concelho de Santiago do Cacém, António Chainho despediu-se do público afirmando que “deixo-vos, em vez de adeus, com um até já, porque acho que eu e a minha guitarra não nos vamos separar”.

O mestre, que em criança começou a dedilhar a guitarra portuguesa sem nunca mais a deixar, enfatizou que “é uma enorme honra contar com a presença de cada um de vós nesta noite tão especial, aqui nesta minha Lisboa, onde comecei a minha carreira profissional há 60 anos”.

Depois de cumprir o serviço militar, primeiro em Beja e depois com uma comissão em Moçambique, ruma a Lisboa, trazendo na bagagem a destreza no manejo da guitarra herdada do pai e o gosto pelo fado transmitido pela mãe.

Em meados dos anos 60 estreou-se na casa de fados A Severa, passando depois pelo O Faia, O Folclore e o Picadeiro, da qual foi proprietário.

Durante a sua carreira acompanhou os fadistas Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo, Hermínia Silva, Francisco José, Tony de Matos, António Mourão, Frei Hermano da Câmara ou Carlos do Carmo.

Após atuar em recitais por todo o mundo, tanto em apresentações a solo como dividindo o palco com artistas como Paco de Lucía ou John Williams, em concertos e festivais dedicados à guitarra, inicia a sua própria discografia com o álbum Guitarra Portuguesa de 1980. Desde então António Chainho lançou oito álbuns, entre os quais um em conjunto com a Orquestra Filarmónica de Londres, em 1996, dirigido pelo maestro José Calvário.

Em 1998, a Casa da Imprensa atribui-lhe o Prémio Bordalo, na categoria de Música Ligeira e o Município de Santiago do Cacém distinguiu-o com a Medalha de Honra em 2005.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou a 15 de março de 2022 António Chainho com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, que distingue quem prestou “serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores”.

No mesmo ano, recebeu também o Prémio Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).

Os mais próximos, alguns ainda com memória de ouvir o miúdo António Chainho tocar no café dos pais, junto à escola primária de São Francisco da Serra, acreditam que aos 86 anos, vai continuar a compor e a tocar, mas agora para a família e os muitos amigos.